São considerados inadimplentes os consumidores com dívidas vencidas há mais de 90 dias
 |
| Foto: Kid Júnior |
Brasília. O nível de endividamento das famílias brasileiras já compromete 34,8% da sua renda anual, de acordo com cálculos divulgados ontem pelo Banco Central no Relatório Trimestral de Inflação. Há dois anos, segundo o BC, o valor dos empréstimos contraídos correspondia a 26,7% da renda das famílias.
Para o Banco Central, ´o aumento representativo do nível do endividamento ao longo dos últimos anos´´ está associado ao próprio desenvolvimento do mercado de crédito, que antes era ´incipiente´´.
Outro efeito desse crescimento foi o aumento da inadimplência, principalmente depois da piora na crise econômica. Na última quinta-feira, o BC havia divulgado outro dado sobre o crédito das famílias, que mostra um aumento da inadimplência para patamares recordes. Os números apresentados ontem pelo BC se referem ao mês março, quando a inadimplência estava em alta, mas ainda não havia alcançado o patamar recorde de 8,6% atingido em maio. Antes da piora na crise de crédito, estava em cerca de 4%. De acordo com o BC, os últimos meses mostram uma ´elevação generalizada nos atrasos em todas as modalidades´´, em especial, no crédito pessoal, nos financiamentos de veículos e cartão de crédito.
Dívidas acima de 90 dias
São considerados inadimplentes os consumidores com dívidas vencidas há mais de 90 dias. As dívidas não quitadas até esse prazo são classificadas como ´atrasos´´ e não entram na estatística de inadimplência.
Para o BC, a inadimplência se deve à escassez de crédito no País provocada pela crise financeira a partir do fim do terceiro trimestre de 2008. Com isso, houve uma estabilização, desde então, no patamar de endividamento dos brasileiros.
Projeção para a economia
O Banco Central reduziu pela segunda vez sua projeção para o crescimento da economia neste ano, mas continua apostando que, puxado pelo setor de serviços, o PIB (Produto Interno Bruto) de 2009 vai ter variação positiva, ao contrário da estimativa de boa parte dos analistas do setor privado. O BC refaz suas previsões para a economia brasileira a cada três meses, quando divulga seu Relatório de Inflação. No texto publicado ontem, a projeção para o crescimento da economia caiu de 1,2% para 0,8%. No final do ano passado, na primeira projeção feita para 2009, a estimativa estava em 3,2%.
Segundo o diretor de Política Econômica do Banco Central, Mário Mesquita, a estimativa foi alterada devido aos resultados um pouco abaixo do esperado observados no primeiro trimestre, especialmente pelo setor industrial.
Três meses atrás, o BC dizia esperar expansão de 0,1% para a indústria neste ano. Hoje, o cenário foi revisto e agora a expectativa é de uma retração de 2,2% nesse segmento.
O impacto dessa revisão sobre as projeções para o PIB só não foi maior porque o peso da indústria na economia brasileira, segundo o IBGE, é relativamente baixo, de aproximadamente 24%.
Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=650047
|